Quaaaaaaando eu era jovem, me lembro do primeiro boom das séries de TV. Se não me engano começou com "Dallas" ("Bonanza" e "I Love Lucy" não contam!), depois veio "Casal 20", "A Ilha da Fantasia" e um monte de outros policiais como "Magnun", "Rockford Files", "A Gata e o Rato" (debut do Bruce Willis, vejam só), "Vegas", "SWAT" e por aí vai. Eu adorava esses seriados e, é claro, me apaixonava por todos os protagonistas ou coadjuvantes, o que fosse mais bonitão : ) Eu gostava do passatempo, quando se é uma jovem em cidade grande com pais superprotetores é só o que se pode fazer do seu tempo, entre, é claro, um livro e outro, porque eu sempre gostei de ler (herança da avó, que passa pra mãe e... parece que ficou só na filha mesmo...). Mas, o que eu quero dizer aqui é que esse boom voltou com força total, graças à internet. Eu até que fiquei fora do circuito um tempo mas acabei me rendendo de corpo, alma e HDs a esses "enlatados" (como a gente chamava antigamente). Eu acompanho 38 deles, e chegando mais, a maioria policiais.
Mas o que eu gosto mesmo é de observar os relacionamentos entre os personagens. O que dá mais ibope são os casais vai-não-vai, fórmula antiga, né (Lucas e Jade, oi)? E criaram até nomezinhos para as duplas (Huddy - Dr. House; Addisam - Private Practice... cabe aqui um Lude, porque eu acho que Jacas não cai bem...). Mas eu acho interessante mesmo é analisar um ponto comum entre os relacionamentos nas séries de TV: os breakups. Geralmente a esposa mete o pé no policial porque ele trabalha demais, e é aí que eu penso: quando eles se casaram ele já não era assim? Ela não casou sabendo? Aliás, essa dedicação e empenho não era um traço da personalidade dele que ela abraçou, que a fez se apaixonar por ele? Tirando o caso de "Blue Bloods" em que a moça noivou com um estudante de Direito e ia se casar com um policial ex-estudante de Direito, não faz sentido os relacionamentos acabarem baseados em um fato que pode ter sido até o gerador do romance.
Outra coisa engraçada é comparar como é que alguns personagens de um seriado resolveriam os problemas dos outros. Tenho certeza absoluta que se os traçadores de perfis do "Criminal Minds" contratassem o escritório do Carl Lightman ("Lie To Me") e os laboratórios dos CSIs, todos os crimes seriam solucionados bem mais facilmente. E até que o "CSI Miami" poderia usar os serviços do Dexter (já tá por ali mesmo), porque aqueles bandidos de lá, sei não... são os piores de todos!
Bem, deixa eu ir ali que tá na hora do Jacas... ô, Lude!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
sábado, 4 de dezembro de 2010
Eu Te Amo
Eu te amo.
Como dizer isso a quem não ouve, não vê e não sente? Como me declarar àquela que me viu nascer, conheceu meu desprezo por ela e, mesmo assim, foi se mostrando aos poucos, dia a dia, ano a ano, conquistando-me sem que eu o percebesse? De repente me peguei admitindo que não a trocaria por nenhuma outra e, por mais longe que eu me encontrasse, sempre a teria em meu coração.
O encanto da Savassi às 5 horas da tarde. Algo diferente no ar que faz a gente se sentir tão bem! A Tamóios, cúmplice de minha euforia quando da primeira vez em que, sozinha, cheguei à DRT. A Afonso Pena, da Rodoviária à Praça do Papa, com toda a sua história e majestade; meu primeiro e meu último emprego. A Alvarenga Peixoto, onde descobri a mim mesma e aprendi a ser mais eu. A Francisco Sales me trouxe a glória e o amor. A Abrahão Caram me mostrou a amizade.
A banana split do Ted´s, os filmes do Metrópole (tão vilmente vendido e demolido que até hoje choro sua morte), o sanduíche do Xodó, a piscina do Minas Tênis Clube... tanta coisa, meu Deus. Quanta saudade!
A Igreja da Floresta e os sermões oposicionistas do padre Benjamim. A Contorno, a Ipiranga, a Pouso Alegre...
Minha história está escrita em cada bairro, em cada rua por que passei, e meu coração é prisioneiro até daquelas por onde nunca andei.
Ela ouve, ela vê, ela sente. Eu te amo, Belo Horizonte.
Como dizer isso a quem não ouve, não vê e não sente? Como me declarar àquela que me viu nascer, conheceu meu desprezo por ela e, mesmo assim, foi se mostrando aos poucos, dia a dia, ano a ano, conquistando-me sem que eu o percebesse? De repente me peguei admitindo que não a trocaria por nenhuma outra e, por mais longe que eu me encontrasse, sempre a teria em meu coração.
O encanto da Savassi às 5 horas da tarde. Algo diferente no ar que faz a gente se sentir tão bem! A Tamóios, cúmplice de minha euforia quando da primeira vez em que, sozinha, cheguei à DRT. A Afonso Pena, da Rodoviária à Praça do Papa, com toda a sua história e majestade; meu primeiro e meu último emprego. A Alvarenga Peixoto, onde descobri a mim mesma e aprendi a ser mais eu. A Francisco Sales me trouxe a glória e o amor. A Abrahão Caram me mostrou a amizade.
A banana split do Ted´s, os filmes do Metrópole (tão vilmente vendido e demolido que até hoje choro sua morte), o sanduíche do Xodó, a piscina do Minas Tênis Clube... tanta coisa, meu Deus. Quanta saudade!
A Igreja da Floresta e os sermões oposicionistas do padre Benjamim. A Contorno, a Ipiranga, a Pouso Alegre...
Minha história está escrita em cada bairro, em cada rua por que passei, e meu coração é prisioneiro até daquelas por onde nunca andei.
Ela ouve, ela vê, ela sente. Eu te amo, Belo Horizonte.
Você
Tantos amores tive. Meu coração foi de muitos donos, porém nenhum deles reconheceu o que tinha. Tantos sonhos tive. Minha imaginação passou por muitos cenários, porém nenhum deles teve a força para se concretizar. Tantas cicatrizes tenho. Minha alma teve muitas desilusões, porém de nenhuma delas me arrependo.
Conscientemente ou não, de alguns me aproveitei. De todos trago lembranças doces ou agridoces. Existe o momento certo para recordar cada um. Existe o momento eterno de continuar sonhando, pensando em como poderia ter sido diferente, ou criar alguns que nunca existiram.
Livre. Livre é meu coração para seguir sempre te buscando. Sei que ele ainda se entregará mais de uma vez até que, finalmente, encontre alguém que o reconheça precioso. Alguém como você, cujos olhos me enfeitiçam sem sequer notarem o efeito que processam em mim. Você, cujas mãos macias me eletrificam sem sequer sentir o arrepio que seu toque causa. Você, que me olha mas não me vê, que me toca mas não me sente, que me conhece mas não sabe nada de mim.
Você será a lembrança mais doce, a recordação de qualquer momento, o sonho eterno que eu queria diferente. Você será aquele que terei sem nunca ter tido, com quem conversarei sem conversar, que possuirei de corpo ardente sem possuir.
Conscientemente ou não, de alguns me aproveitei. De todos trago lembranças doces ou agridoces. Existe o momento certo para recordar cada um. Existe o momento eterno de continuar sonhando, pensando em como poderia ter sido diferente, ou criar alguns que nunca existiram.
Livre. Livre é meu coração para seguir sempre te buscando. Sei que ele ainda se entregará mais de uma vez até que, finalmente, encontre alguém que o reconheça precioso. Alguém como você, cujos olhos me enfeitiçam sem sequer notarem o efeito que processam em mim. Você, cujas mãos macias me eletrificam sem sequer sentir o arrepio que seu toque causa. Você, que me olha mas não me vê, que me toca mas não me sente, que me conhece mas não sabe nada de mim.
Você será a lembrança mais doce, a recordação de qualquer momento, o sonho eterno que eu queria diferente. Você será aquele que terei sem nunca ter tido, com quem conversarei sem conversar, que possuirei de corpo ardente sem possuir.
Brilho Dourado
O telefone toca.
As persianas fechadas não oferecem muita resistência à luz, uma vez que sua alvura permite que alguns raios do sol já desperto se aventurem pelo quarto, envolvendo-o numa penumbra morna e aconchegante mas que nunca esteve tão fria. Assim como a mobília leve, de tons alegres, cada objeto tem seu lugar e, se a luz brincar de ir embora, não poderá levar com ela a possibilidade de se achar o que se deseja. Toda essa ordem tem um contraste brutal com o caos que agora reina no espírito. A camisola, cuidadosamente dobrada, desde a manhã anterior guardada sob o travesseiro ainda úmido da mágoa. A cabeça pesada sobre ele, os cabelos em desalinho e as profundas olheiras com vestígios da maquiagem desfeita. As roupas amarrotadas pela noite inquieta e mal dormida. O consolo do sono.
A campanhia volta a tocar sobre a mesinha.
Abro os olhos e, pouco a pouco, tomo consciência do meu corpo, como numa checagem de instrumentos antes da decolagem de um avião. A cabeça dói, os olhos ardem, o nariz úmido pede um lenço e o peito... um alicate daria aperto maior do que o que sinto agora? Estou prestes a sufocar e, num ímpeto inconsciente, respiro fundo, mas a inalação é cortada por um soluço e os olhos marejam novamente. Oh, Deus! Pensei que já não houvesse mais lágrimas. De onde saiu este tanque reserva? O corpo dá sinais da péssima noite mas nada supera a dor do coração tão vilmente açoitado. O que acontece agora? Como enfrentar todo um dia sem o prêmio no final dele? Como sorrir sem a alegria? Como viver sem a vida?
O terceiro toque do telefone já me encontra em plena consciência do abismo sobre o qual pairam meus pés, da solidão que reina à minha volta e da escuridão em que se encontra minha vida. Meus olhos captam um brilho dourado sobre o tapete. Lá passou a noite sem o dedo que lhe acompanhava já há quase um ano. Quando foi mesmo que a joguei ali? Uma lágrima rolou com a lembrança dos segundos de êxtase que tivera há apenas dois dias atrás naquele mesmo tapete que parecia seguir o balanço dos nossos corpos suados.
O telefone insiste e atendo.
Choro. Choro porque o sol entrou no quarto pelo telefone, enchendo minha alma e aquecendo meu corpo. A cabeça torna-se leve, os olhos limpos. O nó se afrouxa em volta do coração, permitindo que o ar circule em cada célula, que a vida, agora restaurada, chegue a cada partícula.
Ainda com o fone ao ouvido, levanto-me e resgato a aliança do tapete, que sofrera tanto quanto eu e que quer voltar para o dedo. Tanto quanto eu.
As persianas fechadas não oferecem muita resistência à luz, uma vez que sua alvura permite que alguns raios do sol já desperto se aventurem pelo quarto, envolvendo-o numa penumbra morna e aconchegante mas que nunca esteve tão fria. Assim como a mobília leve, de tons alegres, cada objeto tem seu lugar e, se a luz brincar de ir embora, não poderá levar com ela a possibilidade de se achar o que se deseja. Toda essa ordem tem um contraste brutal com o caos que agora reina no espírito. A camisola, cuidadosamente dobrada, desde a manhã anterior guardada sob o travesseiro ainda úmido da mágoa. A cabeça pesada sobre ele, os cabelos em desalinho e as profundas olheiras com vestígios da maquiagem desfeita. As roupas amarrotadas pela noite inquieta e mal dormida. O consolo do sono.
A campanhia volta a tocar sobre a mesinha.
Abro os olhos e, pouco a pouco, tomo consciência do meu corpo, como numa checagem de instrumentos antes da decolagem de um avião. A cabeça dói, os olhos ardem, o nariz úmido pede um lenço e o peito... um alicate daria aperto maior do que o que sinto agora? Estou prestes a sufocar e, num ímpeto inconsciente, respiro fundo, mas a inalação é cortada por um soluço e os olhos marejam novamente. Oh, Deus! Pensei que já não houvesse mais lágrimas. De onde saiu este tanque reserva? O corpo dá sinais da péssima noite mas nada supera a dor do coração tão vilmente açoitado. O que acontece agora? Como enfrentar todo um dia sem o prêmio no final dele? Como sorrir sem a alegria? Como viver sem a vida?
O terceiro toque do telefone já me encontra em plena consciência do abismo sobre o qual pairam meus pés, da solidão que reina à minha volta e da escuridão em que se encontra minha vida. Meus olhos captam um brilho dourado sobre o tapete. Lá passou a noite sem o dedo que lhe acompanhava já há quase um ano. Quando foi mesmo que a joguei ali? Uma lágrima rolou com a lembrança dos segundos de êxtase que tivera há apenas dois dias atrás naquele mesmo tapete que parecia seguir o balanço dos nossos corpos suados.
O telefone insiste e atendo.
Choro. Choro porque o sol entrou no quarto pelo telefone, enchendo minha alma e aquecendo meu corpo. A cabeça torna-se leve, os olhos limpos. O nó se afrouxa em volta do coração, permitindo que o ar circule em cada célula, que a vida, agora restaurada, chegue a cada partícula.
Ainda com o fone ao ouvido, levanto-me e resgato a aliança do tapete, que sofrera tanto quanto eu e que quer voltar para o dedo. Tanto quanto eu.
A Voz do Coração
A infância se foi e, com ela, todos os sonhos de menina. A vida chegou aos poucos, ocupando a mente com responsabilidades e o coração com cicatrizes. Onde foram parar as estórias de emoção e amor, vividas na imaginação? Não há mais tempo para elas. Nos poucos momentos que se tem para respirar, um relâmpago de pensamentos passa tão longe que nem dá para retê-los no consciente. E vem a vontade de parar e sonhar de novo. Mas hoje não dá. Talvez amanhã, ou depois. E os dias tornam-se meses e estes, anos. E alguém dentro de você grita e esperneia e luta contra as amarras de engrenagens e ponteiros que não o deixam sair. Não existem mais sonhos? Existem, só que agora se chamam metas. Minha meta é ter uma casa. Minha meta é ter um carro. Minha meta é dar uma boa escola para meu filho. Os sonhos ainda existem, só que modificados em sua essência. Escrever também seria um sonho? Uma voz pequenininha grita em meu ouvido. Deixar o coração vagar na estrada etérea do passado real e do passado alternativo também seria um sonho? A voz grita e esperneia em meio a neurônios e tecido cardíaco. Criar um irreal com toda a força e a emoção da realidade também seria um sonho? E a voz corre todo meu corpo como se elétron fosse em um túnel de aceleração de partículas até que, com toda a energia gerada por essa corrida louca, explode em mil fagulhas de fantasias vivas; e todos esses anos de reclusão sufocante são derramados em folhas e folhas de passado e presente real e imaginário. A química da criação.
Caça e Caçador
Os cubos de gelo batem em meu copo. O uísque, gelado, amargo. Nem sei porque tomo essa droga! As pessoas conversam em grupos, circulam em duplas. O sofá macio em que me afundo e a música jogando vibrações em meus ouvidos. A gostosa sensação de abandono. O se sentar de qualquer jeito, sem mesuras ou estudos. Apenas confortável. O copo queima meus dedos. Um acorde mais agudo chama minha atenção e começo a voar nas pautas etéreas. Um trago e a fumaça sobe marejando meus olhos. Um trago e a bebida desce rasgando minha garganta. Sinto um arrepio leve, quente, gostoso. Desço das pautas no ar e ergo os olhos no horizonte e, por trás do cristal de um copo, dois olhos negros me fitam. A fumaça entra em meus olhos desavisados e pisco limpando a vista. Sumiu. Terei sonhado? Já não me sinto tão confortável. Reprovação? Incômodo? Caça? Mexo-me em meu trono procurando uma posição mais discreta. Quero passar despercebida. Não quero viver a festa, só observá-la. Arrepio. Bebo a água com uísque, agora menos amargo. Uma nuvem de Stiletto passa por mim numa sombra negra de riscado e blusa branca. Não já terei visto esses olhos? A fumaça do cigarro deixa passar apenas sua silhueta. Aquele acorde agudo desta vez me assusta e o arrepio volta mais quente, queimando. Pessoas dançam no salão, se enlaçam e rodopiam num ritmo não muito lento. No meio de tanta gente, meus olhos se perdem e desviam, passando apertado entre um corpo e outro e mais outro até esbarrarem em dois olhos negros encostados à janela. Lentamente apago o cigarro para que a fumaça não o leve de novo. O arrepio cresce em tremor e posso sentir seu perfume como se não houvesse perfumes, quitutes e cigarros, apenas nós. Sinto a quentura nas faces e olho o copo para esconder o rubor que, sei, está em meu rosto. A pele arrepiada se torna sensível a qualquer vibração. E essa sensibilidade, como um radar, me diz que ele se aproxima. Sinto-o à minha frente. O perfume me envolve. Ergo os olhos e já não há mais festa, nem sons, nem pessoas. Só caça e caçador.
Barrinha
A manta protege o corpo do toque frio da grama orvalhada. As estrelas no alto não estão muito firmes, pois aqui e acolá um risco prateado enfeita o céu. Será que, naquele momento, cortei meu destino? Por quê? Lembro o violão tão bem tocado, entoando canções cujas letras sei de cor. Tu também. Mas eu conheço essa história: bebida, estrelas, frio... e amanhã, nem te ligo. E eu ficaria com raiva e te odiaria. Não queria te odiar. Não a ti. Por isso te neguei meus lábios. Depois te dei outra chance e tu te fizeste de desentendido. Nessa confusão fiquei muitos dias. Querendo sem querer. E a indefinição se tornou insuportável quando os vi trocando olhares. Pensei: ele nada tem comigo, por que me sinto assim? E esse sentimento me levou a pôr tudo em pratos limpos. Eis porquê te chamei naquele dia. E então tu disseste justamente o que eu já sabia e não queria acreditar. E eu vi que todo o tempo eu estava criando uma ilusão, vendo fatos que nunca estiveram lá, sentimentos que nunca existiram. Valeu. Valeu porque não te odeio. Te gosto muito como sempre deveria ter gostado.
Assinar:
Postagens (Atom)